Queda da Selic alavanca retomada do PIB, diz Guardia

Desde fevereiro à frente da asset do BTG Pactual, com R$ 123 bilhões sob gestão, o ex-ministro da Fazenda Eduardo Guardia projeta um crescimento de 2% do produto interno bruto (PIB) brasileiro em 2020. A estimativa tem por base, única e tão somente, as perspectivas de novos cortes na taxa Selic, ainda em 2019, por decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. “Os investimentos estão em patamares muito reduzidos, até porque a ociosidade da capacidade instalada é elevada. Mas, de qualquer forma, a economia pode crescer 2% no próximo ano com a redução da Selic para 4,5% ou 4% ao ano”, diz Guardia, que chefiou a equipe econômica federal nos últimos nove meses da gestão de Michel Temer.

Ainda estão longe de serem atendidas, no entanto, as condições para uma retomada mais consistente da atividade econômica. Isso só será possível, na análise do CEO da asset do BTG Pactual, com a sequência dos ajustes estruturais da economia pautados pelo novo Executivo federal, casos das reformas tributária e administrativa. “A reforma da Previdência, a meu ver, já está provada e já foi, inclusive, precificada pelo mercado” assinala Guardia. “Ela, por sinal, é mais robusta do que a reforma proposta pelo governo anterior, já que pretende abranger estados e municípios.”

A queda dos juros vem servindo de estímulo para o reforço do cardápio de opções da gestora do grupo BTG Pactual. Além de ter apresentado, nos últimos meses, novidades em fundos multimercados e de ações, a casa prepara o lançamento de veículos de investimentos nas áreas de private equity e infraestrutura lastreados em ativos latino-americanos. “A diversificação também está em alta na grade de produtos imobiliários, que saltou de R$ 3 bilhões para R$ 5 bilhões neste ano”, diz Guardia, que, escorado nessa variedade, vem intensificando os contatos com investidores institucionais. “Os fundos de pensão terão de migrar da renda fixa para aplicações de risco, como ações e fundos imobiliários, para cumprir as suas metas atuariais.”

Estrela Cadente - Na avaliação do CEO da gestora, a recente busca e apreensão de documentos na sede do BTG Pactual, no bojo da operação “Estrela Cadente”, tocada pelo Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF), não causou qualquer impacto na operação e na condução dos negócios. O episódio em questão tem relação com as investigações sobre o fundo de investimentos Bintang, antes administrado pela instituição, cujo gestor é suspeito de ter se aproveitado do vazamento de informações sigilosas sobre variações da Selic na primeira metade da década para obter lucros.

 “Como administradores, não tínhamos nada a ver com a gestão do fundo sob investigação. Só poderíamos intervir caso o gestor não respeitasse a política de investimento”, observa Guardia, que fez referência, ainda, à prisão, em 2015, de André Esteves, sócio do BTG Pactual, por suposta obstrução das investigações da Operação Lava Jato. “Com o passar do tempo, ficou evidente que as acusações contra ele não tinham qualquer fundamento. Os clientes entenderam isso.”


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